Neste domingo, 29, o mundo lamenta os dois anos da morte de Pelé, o Rei do Futebol. À época, o ícone tratava um câncer de cólon, identificado em 2021. Sua partida aos 82 anos deixou o universo esportivo de luto, que hoje busca manter o seu legado e conquistas vivos na memória.
Torcedores e fãs de futebol entendem certamente a relevância inigualável de Pelé em campo. Porém, seu impacto se estendeu para fora das quatro linhas. Em 1969, o Santos, que tinha acabado de faturar o sexto título brasileiro, não disputaria a Libertadores da temporada em questão, devido a um conflito entre a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e a Confederação Sul-Americana.
Dessa maneira, o Peixe utilizou o espaço no calendário para disputar amistosos no continente africano. Um dos confrontos na Nigéria estava marcado para ocorrer na cidade de Benin, próxima à fronteira com a então região separatista de Biafra. À época, o local era o epicentro de uma sangrenta guerra civil.
O embate colocava dois grupos étnicos em oposição: os igbo e os hausa, sendo que este segundo dominava o governo local. Conforme o jornalista Gilberto Marques, que acompanhava a delegação santista, o tenente-coronel Samuel Ogbemudia, no entanto, liberou a passagem que ligava Benin à cidade de Sapele devido à partida.
Além disso, o militar declarou que seria feriado depois do meio-dia; assim, a população poderia assistir ao jogo de forma mais segura. O Santos de Pelé venceu a Seleção do Meio Oeste por 2 a 1, com gols anotados por Edu e Toninho. Contudo, o verdadeiro triunfo do dia, foi a paz proporcionada pela mera presença do time do ‘Rei’.
"Um dos meus grandes orgulhos foi ter parado uma guerra na Nigéria, em 1969, em uma das várias excursões que o Santos fez pelo mundo. Nós tínhamos um amistoso marcado na Cidade de Benin, que estava no meio de uma Guerra Civil. Só que o Santos era tão amado que as partes aceitaram um cessar-fogo no dia da partida. Ficou conhecido como o ‘Dia em que o Santos parou a guerra’", relembrou Pelé em 2020, por meio de um post.